Seletividade alimentar no autismo

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Extremoz,11/06/2026

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    Seletividade alimentar no autismo

    Especialista explica como o processamento sensorial afeta a dieta de até 90% das crianças com TEA e dá dicas para garantir saúde e inclusão.


    Seletividade alimentar no autismo

    O desafio sensorial que vai além do prato

    Recusar um alimento pela cor, cheiro ou textura não é apenas "frescura". Para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), a hora da refeição pode ser um verdadeiro campo de batalha sensorial.

    Estudos apontam que entre 70% e 90% das crianças no espectro apresentam algum grau de dificuldade alimentar. Esse cenário exige um olhar atento, pois a restrição severa pode comprometer o crescimento e o convívio social.


    O papel do processamento sensorial

    Segundo a nutricionista clínica Luciana Matoso, especialista em comportamento alimentar no TEA, a seletividade está ligada à forma como o cérebro interpreta os estímulos. Não se trata apenas de paladar, mas de uma hipersensibilidade que envolve os cinco sentidos:

    • Visão: Rejeição por cores específicas ou aparência do prato.

    • Olfato: Incômodo extremo com cheiros de cocção.

    • Tato: Dificuldade com texturas (pastosos, crocantes ou alimentos misturados).

    • Audição: O barulho da mastigação ou do ambiente pode gerar estresse.

    "A experiência de experimentar um novo alimento pode ser interpretada pelo cérebro da criança como uma ameaça, tornando o momento das refeições estressante para toda a família", explica Luciana.


    Riscos da carência nutricional

    A dieta restrita e repetitiva aumenta o risco de deficiências de nutrientes vitais, como ferro, zinco, vitamina D e proteínas. Segundo a especialista, os impactos podem ser sentidos em diversas áreas:

    1. Baixa imunidade e fadiga constante;

    2. Dificuldade de concentração e aprendizado;

    3. Alterações no sono e irritabilidade;

    4. Problemas gastrointestinais (como a constipação, agravada pela baixa hidratação).


    Estratégias para uma alimentação inclusiva

    Para Luciana Matoso, o segredo não está na pressão, mas na exposição gradual. O acompanhamento deve ser individualizado e multidisciplinar, integrando nutrição, psicologia e terapia ocupacional.

    Dicas para famílias e escolas:

    • Respeite o tempo: Não force a ingestão; comece aproximando o alimento da criança visualmente.

    • Ajuste o ambiente: Refeições em locais calmos ajudam a reduzir o estresse sensorial.

    • Foco na hidratação: A recusa por água é comum e deve ser trabalhada com recipientes e temperaturas diferentes.

    • Aparência atrativa: Pequenas mudanças no corte ou na forma de apresentar o alimento podem facilitar a aceitação.

    Nutrição e Inclusão

    Uma criança bem nutrida tem mais disposição para as atividades escolares e sociais. "O acompanhamento nutricional é sobre desenvolvimento e autonomia. Cada novo alimento aceito é uma vitória funcional para a criança", conclui a nutricionista.




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