Miguel Bruno celebra Extremoz com cordel no Dia Nacional da Poesia

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Extremoz,11/06/2026

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    Miguel Bruno

    Miguel Bruno celebra Extremoz com cordel no Dia Nacional da Poesia

    Miguel Bruno reforça o papel da juventude na valorização da cultura local e mostra que a poesia continua viva e pulsante em Extremoz.


    Miguel Bruno celebra Extremoz com cordel no Dia Nacional da Poesia

    No Dia Nacional da Poesia, celebrado em 14 de março, o jovem Miguel Bruno, estudante e colunista do Blog do Malveira, prestou uma homenagem especial à cidade de Extremoz (RN) com um cordel autoral que exalta suas belezas, tradições e identidade cultural.

    Dia Nacional da Poesia

    O Dia Nacional da Poesia é comemorado em 14 de março em homenagem ao nascimento de Castro Alves, um dos maiores poetas brasileiros. A data celebra a força da palavra escrita, a criatividade e a expressão artística que a poesia representa em todas as suas formas — do soneto clássico ao cordel nordestino.

    Miguel Bruno

    Miguel Bruno é um jovem talento de Extremoz, apaixonado por literatura popular e pelas raízes culturais do Rio Grande do Norte. Como colunista do Blog do Malveira, ele escreve sobre a cultura local, valorizando a história, os personagens e os costumes da cidade. Seu trabalho busca despertar o orgulho extremozense e fortalecer a identidade cultural da região.

    O que é o cordel?

    O cordel é um gênero literário tradicional do Nordeste brasileiro, caracterizado por versos rimados e narrativas populares, geralmente impressos em folhetos e vendidos em feiras. Com linguagem acessível e temas variados — que vão do humor à crítica social — o cordel é uma forma poderosa de preservar e transmitir a cultura regional.

    🎶 Cordel: “O coronel dos anjos e o Cão miúdo.”

    Certa noite em paciência 
    Cidade do Rio de janeiro 
    Aconteceu um ocorrido
    Com um grande fazendeiro 
    Que por fim não esperava 
    Que Pela alta madrugada 
    Acordaria em pesadelo.

    Essa lenda curiosa 
    Que falo com emoção 
    Envolve um grande coronel,
    Uma menina e um jaqueirão 
    E três cabras armados
    Todos trêmulos e assustados
    Frente a frente com o Cão.

    Cão é como chamamos
    Com desgosto e abuso
    Mas o tal amostradinho
    Quer que o chamem de cão miúdo 
    Debochado e atrevido
    Fedorento e rabudo.

    Naquela pequena cidade
    Repleta de marmanjos
    Vivia um grande coronel 
    De apelido Seu dos anjos 
    Que tinha uma grande fazenda 
    Que gerava emprego e renda 
    E foi assim por muitos anos.

    Certo dia sua afilhada 
    Que brincava no terreiro
    Correu desesperada 
    Gritando o tempo inteiro 
    Padrinho, padrinho padrinho 
    Tem um bixo nos coqueiros.

    Chegando lá ninguém via
    Um pobre cristão se quer 
    Seu dos anjos em agonia
    Saiu batendo com o pé
    Desacreditado da criança 
    E julgando ser da infância 
    A imaginação de fé.


    Outro dia novamente
    A menina abriu o bocão 
    "Acode aqui meu padrinho! Tem um bixo no jaqueirão! Ele come as jacas maduras, e joga as verdes no chão!!!


    Dessa vez o Coronel 
    Deu atenção a afilhada
    E viu com coragem fiel
    Toda aquela presepada 
    As jacas verdes no chão 
    Mas sem nenhuma pegada.

    O coronel ficou com raiva
    Que até quebrou uma Cuia
    Pois não foram as crianças 
    Nem as indígenas tapuias 
    Mas ele jurou sua vingança 
    E seria num sábado de aleluia.

    Então assim o coronel 
    Subiu o seu jaqueirão 
    Levando seu pincel
    E sua arma na mão 
    Passou cola das braba 
    Querendo prender o cão.

    Foram dormir muito cedo
    As luzes tudo apagada 
    Mas a hora do desespero 
    Chegou nas 3 da madrugada 
    Com gritos do lado de fora 
    Da fazenda assombrada.

    O coronel meteu o pé 
    Correu pro meio do terreiro
    Chamou logo seu José 
    Que levou seu candeeiro 
    Chegando lá viram a cena
    Que não veriam nem por dinheiro.

    Um bixo pretinho e baixo
    Que gritava o tempo inteiro
    Pendurado pelo rabo 
    E vestido de vermelho 
    Era ele o cão miúdo 
    Bixo feio e desordeiro.

    Depois quando se soltou
    Deu um pulo e foi pro mato
    Seu dos anjos ficou branco 
    e seu José todo mijado
    Com tudo que haviam visto
    E a menina tinha avisado.

    Foi um susto muito grande 
    Isso ninguém deseja 
    E o coronel fez na sua fazenda 
    Uma linda e bela igreja 
    E de ateu virou devoto
    De qualquer santo que seja.

    Hoje em ruínas 
    A fazenda guarda histórias
    Quem viu se assustou 
    E deixou vivo na memória 
    E o danado do cão miúdo 
    Come jaca lá até agora.

    Com esse cordel, Miguel Bruno reforça o papel da juventude na valorização da cultura local e mostra que a poesia continua viva e pulsante em Extremoz.



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