No Dia Nacional da Poesia, celebrado em 14 de março, o jovem Miguel Bruno, estudante e colunista do Blog do Malveira, prestou uma homenagem especial à cidade de Extremoz (RN) com um cordel autoral que exalta suas belezas, tradições e identidade cultural.
Dia Nacional da Poesia
O Dia Nacional da Poesia é comemorado em 14 de março em homenagem ao nascimento de Castro Alves, um dos maiores poetas brasileiros. A data celebra a força da palavra escrita, a criatividade e a expressão artística que a poesia representa em todas as suas formas — do soneto clássico ao cordel nordestino.
Miguel Bruno
Miguel Bruno é um jovem talento de Extremoz, apaixonado por literatura popular e pelas raízes culturais do Rio Grande do Norte. Como colunista do Blog do Malveira, ele escreve sobre a cultura local, valorizando a história, os personagens e os costumes da cidade. Seu trabalho busca despertar o orgulho extremozense e fortalecer a identidade cultural da região.
O que é o cordel?
O cordel é um gênero literário tradicional do Nordeste brasileiro, caracterizado por versos rimados e narrativas populares, geralmente impressos em folhetos e vendidos em feiras. Com linguagem acessível e temas variados — que vão do humor à crítica social — o cordel é uma forma poderosa de preservar e transmitir a cultura regional.
🎶 Cordel: “O coronel dos anjos e o Cão miúdo.”
Certa noite em paciência
Cidade do Rio de janeiro
Aconteceu um ocorrido
Com um grande fazendeiro
Que por fim não esperava
Que Pela alta madrugada
Acordaria em pesadelo.
Essa lenda curiosa
Que falo com emoção
Envolve um grande coronel,
Uma menina e um jaqueirão
E três cabras armados
Todos trêmulos e assustados
Frente a frente com o Cão.
Cão é como chamamos
Com desgosto e abuso
Mas o tal amostradinho
Quer que o chamem de cão miúdo
Debochado e atrevido
Fedorento e rabudo.
Naquela pequena cidade
Repleta de marmanjos
Vivia um grande coronel
De apelido Seu dos anjos
Que tinha uma grande fazenda
Que gerava emprego e renda
E foi assim por muitos anos.
Certo dia sua afilhada
Que brincava no terreiro
Correu desesperada
Gritando o tempo inteiro
Padrinho, padrinho padrinho
Tem um bixo nos coqueiros.
Chegando lá ninguém via
Um pobre cristão se quer
Seu dos anjos em agonia
Saiu batendo com o pé
Desacreditado da criança
E julgando ser da infância
A imaginação de fé.
Outro dia novamente
A menina abriu o bocão
"Acode aqui meu padrinho! Tem um bixo no jaqueirão! Ele come as jacas maduras, e joga as verdes no chão!!!
Dessa vez o Coronel
Deu atenção a afilhada
E viu com coragem fiel
Toda aquela presepada
As jacas verdes no chão
Mas sem nenhuma pegada.
O coronel ficou com raiva
Que até quebrou uma Cuia
Pois não foram as crianças
Nem as indígenas tapuias
Mas ele jurou sua vingança
E seria num sábado de aleluia.
Então assim o coronel
Subiu o seu jaqueirão
Levando seu pincel
E sua arma na mão
Passou cola das braba
Querendo prender o cão.
Foram dormir muito cedo
As luzes tudo apagada
Mas a hora do desespero
Chegou nas 3 da madrugada
Com gritos do lado de fora
Da fazenda assombrada.
O coronel meteu o pé
Correu pro meio do terreiro
Chamou logo seu José
Que levou seu candeeiro
Chegando lá viram a cena
Que não veriam nem por dinheiro.
Um bixo pretinho e baixo
Que gritava o tempo inteiro
Pendurado pelo rabo
E vestido de vermelho
Era ele o cão miúdo
Bixo feio e desordeiro.
Depois quando se soltou
Deu um pulo e foi pro mato
Seu dos anjos ficou branco
e seu José todo mijado
Com tudo que haviam visto
E a menina tinha avisado.
Foi um susto muito grande
Isso ninguém deseja
E o coronel fez na sua fazenda
Uma linda e bela igreja
E de ateu virou devoto
De qualquer santo que seja.
Hoje em ruínas
A fazenda guarda histórias
Quem viu se assustou
E deixou vivo na memória
E o danado do cão miúdo
Come jaca lá até agora.
Com esse cordel, Miguel Bruno reforça o papel da juventude na valorização da cultura local e mostra que a poesia continua viva e pulsante em Extremoz.
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