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Extremoz,03/04/2026

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    Cefas Cesar

    Pioneirismo: Primeira mulher eleita prefeita da América Latina

    Luiza Alzira Teixeira Soriano: a pioneira que abriu caminhos


    Pioneirismo: Primeira mulher eleita prefeita da América Latina

    Em 1928, enquanto o Brasil ainda vivia em uma sociedade onde o voto feminino era praticamente um sonho distante, uma mulher de 32 anos desafiou as convenções da época e escreveu seu nome na história. Luiza Alzira Teixeira Soriano, nascida no interior do Rio Grande do Norte, tornou-se não apenas a primeira mulher eleita prefeita no Brasil, mas em toda a América Latina.

    Sua eleição para a Prefeitura de Lajes, com impressionantes 60% dos votos, foi um marco de coragem e determinação. Em um período em que as mulheres sequer tinham direito ao voto, Alzira rompeu barreiras e levou a voz feminina para os corredores do poder municipal. Recebeu apoio de importantes figuras, como a líder feminista Bertha Lutz, e chamou a atenção da imprensa internacional, sendo destaque até no The New York Times.

    Ao assumir o cargo em 1929, Alzira encontrou uma prefeitura debilitada: sem móveis e sem recursos oficiais. Ela utilizou verba própria para equipar o município e iniciou uma revolução administrativa que incluiu melhorias essenciais, como a construção de escolas, a abertura de estradas e a modernização da iluminação pública.

    Seu governo, embora interrompido pela Revolução de 1930, deixou um legado maior do que as obras realizadas: o exemplo que inspirou gerações de mulheres brasileiras a compreenderem que a política pode – e deve – ser um espaço de todas e todos. Alzira renunciou ao cargo por não aceitar a intervenção autoritária que tomava conta do país, mantendo sua integridade e seus princípios firmes.

    Mais do que uma política visionária, Luiza Alzira Soriano foi uma mulher à frente de seu tempo, símbolo da luta feminina por direitos e representação em uma sociedade predominantemente masculina. Seu nome ecoa até hoje como um convite à coragem e à transformação social.

    Celebrar sua história é lembrar que cada conquista tem raízes profundas em atos de bravura e dedicação — e que o lugar das mulheres na política é não apenas um direito, mas uma necessidade para uma democracia plena.



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