Indígenas pressionam por demarcação
Ato em Brasília reúne milhares e reforça cobrança por terras, direitos e proteção ambiental.
Milhares de indígenas de diversas regiões do Brasil marcharam até o Congresso Nacional durante a 22ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL 2026), considerada a maior mobilização indígena do país. O ato reforçou a luta pela demarcação de terras e pela proteção dos territórios tradicionais, considerados essenciais para a preservação cultural, social e ambiental dos povos originários.
Com o lema “Demarca, Lula”, em referência ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os manifestantes percorreram cerca de seis quilômetros pela Esplanada dos Ministérios. Durante o trajeto, cobraram respostas do governo federal e criticaram propostas legislativas vistas como ameaças aos direitos indígenas.
Lideranças também entregaram uma carta ao Executivo por meio da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, destacando a urgência na aceleração da demarcação de terras, além do combate a invasões e conflitos em áreas tradicionais.
Marco temporal volta ao centro das críticas
Um dos principais alvos da mobilização é o marco temporal, tese jurídica que restringe a demarcação de terras às áreas ocupadas por indígenas até a promulgação da Constituição de 1988. Apesar de o Supremo Tribunal Federal ter considerado a tese inconstitucional em 2023, o tema voltou ao debate político após a aprovação de proposta semelhante pelo Senado em 2025, ainda em análise na Câmara dos Deputados.
Os manifestantes também denunciaram a influência de setores como o agronegócio e a mineração, que, segundo eles, pressionam por mudanças que permitem a exploração de territórios tradicionais. Durante o ato, cartazes com frases como “Marco Temporal Não” e “Nosso Território Não Está à Venda” marcaram a manifestação.
Demarcação é vista como resposta à crise climática
Para as lideranças indígenas, a demarcação de terras representa uma dívida histórica do Estado brasileiro e uma estratégia fundamental no enfrentamento da crise climática. Dados da Fundação Nacional dos Povos Indígenas indicam que, entre janeiro de 2023 e novembro de 2025, foram homologados 20 territórios indígenas, totalizando cerca de 2,5 milhões de hectares protegidos em 11 estados.
Apesar dos avanços, ainda existem aproximadamente 110 áreas em análise para reconhecimento oficial. Os participantes do ATL alertam para ameaças crescentes provocadas por projetos de exploração e infraestrutura, especialmente em biomas como a Amazônia e o Cerrado.
A mobilização segue em Brasília, com expectativa de novos atos e aumento da pressão por respostas concretas das autoridades federais e do próprio Congresso Nacional.





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