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Afeganistão reage a plano de deportação de Trump e cobra respeito aos direitos de seus cidadãos

Foto do escritor: Jhonnathan Malveira
Jhonnathan Malveira
há 6 dias
2 min de leitura

Governo americano pretende transferir mais de 150 afegãos da Louisiana para o Paquistão, de onde eles poderiam ser enviados de volta ao Afeganistão. Cabul pede responsabilidade e diálogo com Washington.


Foto: REUTERS
Foto: REUTERS

O governo do Afeganistão manifestou preocupação com os planos dos Estados Unidos de deportar mais de 150 cidadãos afegãos e cobrou responsabilidade da administração do presidente Donald Trump. Em comunicado divulgado nesta segunda-feira (2), o Ministério das Relações Exteriores afegão defendeu que o processo respeite os direitos humanos e a dignidade dos imigrantes.


A manifestação ocorreu após informações de que os Estados Unidos pretendem transferir parte desses cidadãos para o Paquistão, onde eles ainda não conseguiram regularizar sua situação migratória. De lá, os afegãos poderiam ser enviados de volta ao país de origem por meio da fronteira terrestre.


Em publicação na rede social X, o governo afegão declarou estar profundamente preocupado com a possibilidade de que refugiados sejam encaminhados a um terceiro país sem garantias adequadas de proteção.


O comunicado também ressaltou que nenhum país deve negociar o destino de cidadãos estrangeiros em troca de vantagens temporárias ou interesses políticos, ignorando princípios jurídicos e humanitários.


Cabul defende retorno seguro dos afegãos


Na manifestação, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que está disposto a manter um diálogo construtivo com Washington para discutir a situação dos cidadãos afegãos.


O governo também declarou que considera sua responsabilidade garantir que qualquer retorno aconteça de maneira digna, segura e voluntária, com respeito aos direitos e à proteção das pessoas envolvidas.


A reação ocorre depois que o governo Trump anunciou planos para deportar mais de 150 afegãos. Entre os possíveis deportados estão familiares de pessoas que colaboraram com as Forças Armadas americanas antes de o Talibã retomar o controle do Afeganistão.


As informações foram divulgadas pelo jornal norte-americano The New York Times no sábado (31). Segundo a publicação, os Estados Unidos planejam transportar os imigrantes de avião, partindo da Louisiana com destino ao Paquistão. Posteriormente, eles poderiam ser expulsos pela fronteira e encaminhados ao Afeganistão.


Conflito entre Afeganistão e Paquistão aumenta preocupação


O possível envio dos afegãos ao território paquistanês também desperta preocupação devido ao agravamento das tensões entre os dois países. Desde fevereiro deste ano, Afeganistão e Paquistão enfrentam confrontos que estão entre os mais intensos registrados na região nos últimos anos.


O governo paquistanês acusa as autoridades afegãs de permitir que militantes responsáveis por ataques em seu território utilizem o Afeganistão como refúgio. O Talibã, por outro lado, rejeita as acusações e afirma que a atuação desses grupos representa um problema interno do Paquistão.


Na quarta-feira (28), um novo episódio de violência foi registrado na região paquistanesa do Waziristão, próxima à fronteira com o Afeganistão. Segundo uma autoridade administrativa do Paquistão, disparos atribuídos a forças do Talibã afegão atingiram residências e um mercado, deixando uma pessoa morta e outras cinco feridas.


O episódio aconteceu poucos dias depois de representantes do grupo afirmarem que as divergências com Islamabad poderiam ser resolvidas por meio da diplomacia.


A escalada da tensão entre os países acrescenta um novo elemento de preocupação ao plano de deportação americano, especialmente diante dos riscos enfrentados pelos cidadãos afegãos que poderão ser enviados à região.


Com informações da CNN Brasil e do The New York Times.


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