Senado rejeita indicação ao STF
Nome de Jorge Messias é barrado em votação histórica e impõe derrota ao governo Lula.
O Senado Federal rejeitou, nesta quarta-feira (29), a indicação de Jorge Rodrigo Araújo Messias para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal. A decisão marca um episódio raro na política brasileira e representa uma derrota significativa para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A votação, realizada de forma secreta no plenário, terminou com 42 votos contrários e 34 favoráveis. Para ser aprovado, o indicado precisava de pelo menos 41 votos — maioria absoluta entre os 81 senadores. Esta é a primeira rejeição de uma indicação presidencial ao STF desde 1894.
Votação e tramitação
Mais cedo, o nome de Messias havia sido aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado por 16 votos a 11. Após o aval do colegiado, a indicação seguiu em regime de urgência para análise no plenário, onde acabou sendo rejeitada.
Durante a sabatina, o advogado respondeu a questionamentos de parlamentares da base governista e da oposição sobre temas jurídicos e institucionais.
Posições defendidas na sabatina
Na sessão, Messias defendeu o aperfeiçoamento contínuo do Supremo e a necessidade de autocontenção em temas que geram forte divisão na sociedade.
O indicado também afirmou sua identidade religiosa, mas reforçou a defesa do Estado laico, destacando a importância do diálogo entre instituições e diferentes crenças.
Entre outros pontos, defendeu a conciliação como caminho para resolver conflitos fundiários e ressaltou a necessidade de equilíbrio entre o direito à propriedade privada e a proteção aos povos indígenas.
Sobre o aborto, declarou ser pessoalmente contrário, mas afirmou que a discussão deve ser conduzida pelo Congresso Nacional. Já em relação aos atos de 8 de janeiro de 2023, destacou a atuação da Advocacia-Geral da União (AGU) em ações judiciais que resultaram na recuperação de cerca de R$ 26 milhões para reparação de danos.
Próximos passos
A indicação de Messias havia sido feita pelo presidente Lula há cerca de cinco meses para ocupar a vaga deixada por Luís Roberto Barroso.
Com a rejeição pelo Senado, caberá agora ao presidente da República indicar um novo nome para o Supremo Tribunal Federal. O próximo indicado deverá passar novamente por sabatina na CCJ e votação no plenário.





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