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Senado pode ser decisivo para conter avanço do STF; entenda por que reeleição de Alcolumbre preocupa a direita

Foto do escritor: Jhonnathan Malveira
Jhonnathan Malveira
há 4 dias
4 min de leitura

Disputa pela presidência do Senado é considerada estratégica para a oposição, que busca ampliar a fiscalização sobre o Supremo Tribunal Federal e avançar propostas de mudanças na atuação da Corte.


Foto: Geraldo Magela/Agência Senado
Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

A disputa pela presidência do Senado Federal promete ganhar força no próximo ciclo político e pode se transformar em uma das principais prioridades da direita brasileira. O motivo é a influência que o comando da Casa exerce sobre a agenda legislativa e, principalmente, sobre iniciativas que buscam estabelecer limites à atuação do Supremo Tribunal Federal (STF).


Nesse cenário, a possível reeleição de Davi Alcolumbre (União-AP) é vista por setores conservadores como um obstáculo para o avanço dessas pautas. Parlamentares da direita avaliam que, sem conquistar o controle do Senado, terão dificuldades para transformar sua representação numérica em força política capaz de ampliar a fiscalização sobre os ministros da Suprema Corte.


Presidência do Senado concentra poder sobre pautas estratégicas


O presidente do Senado possui influência direta sobre a tramitação de projetos de lei, propostas de emenda à Constituição e outros assuntos de interesse dos parlamentares.


Também cabe ao comando da Casa conduzir os procedimentos relacionados a eventuais pedidos de impeachment de ministros do STF.


Por isso, a escolha de quem ocupará a presidência do Senado é considerada fundamental para definir os rumos da relação entre Legislativo e Judiciário nos próximos anos.


Davi Alcolumbre já possui uma trajetória de influência dentro da instituição. Ele presidiu o Senado entre 2019 e 2021 e, após ser impedido pelo STF de disputar uma recondução consecutiva, articulou a eleição de Rodrigo Pacheco, que permaneceu no comando da Casa por dois mandatos.


De volta à presidência, Alcolumbre pretende manter sua influência política e trabalha para viabilizar uma nova recondução, apoiado por articulações construídas entre diferentes grupos parlamentares.


Articulações políticas ampliam influência de Alcolumbre


O poder de negociação do senador também ficou evidente em episódios recentes envolvendo decisões importantes no Congresso Nacional.


Entre eles, estão as articulações em torno da rejeição da indicação de Jorge Messias para uma vaga no STF, resultado que contrariou as expectativas do governo federal.


Alcolumbre também teve participação na articulação política que levou Rodrigo Pacheco à disputa por uma vaga no Tribunal de Contas da União (TCU), além de atuar na organização da pauta legislativa durante o período eleitoral.


Na ocasião, propostas de interesse do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como o fim da escala de trabalho 6x1 e medidas relacionadas às dívidas de microempreendedores individuais (MEIs), ganharam espaço na agenda do Congresso, enquanto projetos defendidos pela oposição enfrentaram dificuldades para avançar.


A capacidade de administrar a pauta legislativa também amplia o poder de negociação de Alcolumbre. Entre os assuntos que poderiam entrar nas conversas com parlamentares da direita estão propostas relacionadas à anistia dos envolvidos nos atos de 8 de janeiro e ao ex-presidente Jair Bolsonaro.


Segundo informações publicadas pela Gazeta do Povo, o senador teria afirmado a aliados que já reúne votos suficientes para garantir sua reeleição.


Especialistas apontam necessidade de maior fiscalização sobre o STF


A discussão sobre o comando do Senado também envolve questionamentos sobre o funcionamento do Supremo Tribunal Federal e os mecanismos institucionais de controle sobre seus integrantes.


O doutor em Ciência Política Ricardo de João Braga identifica dois problemas centrais enfrentados atualmente pela Corte. O primeiro está relacionado ao modelo de atuação do tribunal, que, segundo sua avaliação, passou a ter uma presença cada vez mais expressiva em disputas políticas e sociais.


Ele também aponta preocupação com decisões individuais de ministros em questões que, em sua avaliação, deveriam receber análise do colegiado.


O segundo ponto envolve a credibilidade institucional do Supremo diante de suspeitas e denúncias relacionadas a integrantes da Corte.


Para Braga, eventuais irregularidades precisam ser investigadas dentro dos parâmetros legais, com respeito ao devido processo e responsabilização caso sejam comprovadas.


O especialista também alerta que a pressão por Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) envolvendo ministros do STF exigirá responsabilidade na condução dos trabalhos para evitar novos conflitos institucionais.


Já o doutor em Direito e cientista político Bruno Coletto considera que o Senado pode assumir um papel determinante na busca pelo equilíbrio entre os Poderes.


Na avaliação dele, a Casa legislativa reúne instrumentos constitucionais importantes para exercer esse papel de fiscalização.


Coletto também demonstra ceticismo quanto à possibilidade de o próprio Supremo reduzir espontaneamente sua atuação em conflitos políticos. Para o especialista, os acontecimentos recentes indicam um cenário de maior tensão entre a Corte e os setores de oposição.


Senado é criticado por falta de fiscalização sobre ministros


Ricardo de João Braga também avalia que o Senado não tem utilizado plenamente suas atribuições constitucionais de fiscalização do Supremo.


Um dos exemplos apontados é o processo de sabatina dos indicados ao STF. Segundo o cientista político, essas etapas deveriam representar uma avaliação mais rigorosa dos candidatos, mas acabam sendo tratadas, em determinadas situações, como procedimentos protocolares.


Na interpretação de Braga, a proximidade entre as atribuições dos senadores e o poder de julgamento do Supremo pode contribuir para essa postura. Parlamentares que hoje participam da avaliação de indicados à Corte também podem, futuramente, estar sujeitos a decisões do próprio tribunal.


Outro aspecto levantado pelo especialista é a influência das alianças políticas nas indicações para o Supremo. Ele avalia que presidentes da República passaram a priorizar nomes considerados alinhados ou de confiança, em detrimento de juristas reconhecidos pela trajetória e independência profissional.


Nesse contexto, futuras indicações poderão enfrentar maior resistência caso sejam interpretadas como escolhas predominantemente partidárias.


Para Braga, candidatos com reputação jurídica consolidada e reconhecida autonomia teriam melhores condições de conquistar apoio no Senado e contribuir para sabatinas mais independentes.


Disputa pelo Senado pode definir relação entre os Poderes


Diante desse cenário, a eleição para a presidência do Senado ganha importância que vai além das articulações partidárias. O resultado poderá influenciar diretamente a capacidade do Congresso de fiscalizar o Supremo, discutir mudanças institucionais e exercer suas prerrogativas constitucionais.


Para a direita, impedir a permanência de Davi Alcolumbre no comando da Casa é considerado um passo estratégico para tentar avançar nessas propostas.


A disputa, portanto, não envolve apenas quem ocupará a cadeira de presidente do Senado, mas também qual será a postura da instituição diante dos conflitos entre Legislativo e Judiciário nos próximos anos.


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